Técnicos de segurança do trabalho comemoram seu dia na Fundacentro

Mesa de abertura (Foto: Alex Pires)

 

 

 

Profissão foi criada pela Lei n° 7.410, de 27 de novembro de 1985, que também criou a especialização em engenharia de segurança

Por ACS/ Cristiane Reimberg em 28/11/2018

No dia em que se comemora o Dia dos Técnicos e Engenheiros de Segurança, 27 de novembro, a Fundacentro abriu suas portas para receber os técnicos de segurança do trabalho em evento organizado pelo Sintesp, sindicato da categoria em São Paulo/SP. “Uma das profissões mais digna e humanitária, estes profissionais são os principais protagonistas da retirada do Brasil da condição de pior país do mundo em acidentes de trabalho até os anos 80”, afirma o presidente da Fenatest (Federação Nacional dos Técnicos de Segurança do Trabalho), Armando Henrique.

A Fundacentro faz parte desta história. De 1973 a 1985, coordenou os cursos que formou os primeiros profissionais da área: 51.101 supervisores de segurança do trabalho, 18.374 engenheiros de segurança, 18.593 médicos do trabalho, 14.188 auxiliares de enfermagem do trabalho e 2.572 enfermeiros do trabalho. Quando a responsabilidade passou ao Ministério da Educação, a instituição continuou contribuindo para a formação por meio de cursos, eventos, estudos e publicações.

Mas ainda há muito para ser feito. O Observatório Digital de SST estima que ocorra 1 morte em acidente do trabalho a cada 3h38. Entre 2012 e 2017, 14.412 mortes acidentárias foram notificadas. “São números maiores que as guerras contemporâneas pelo Mundo”, avalia Armando Henrique. No mesmo período, a Previdência Social gastou R$66.534.254.002,00 com benefícios acidentários.

Atualmente existem 430 mil técnicos de segurança do trabalho formados no Brasil. Dos quais, 40% são mulheres e 60% homens. Os dados foram apresentados pelo presidente da Fenatest. Nildo Queiroz, presidente do Diesat (Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho), ressaltou que as mulheres sofrem resistências na área. “A área de segurança ainda é uma área machista”, aponta.

“Em muitas funções as mulheres são minoria, mas correspondem a 53% da população e são mães dos outros 47% também. Elas desenvolvem um papel especial nesta área”, completa a presidente da Fundacentro, Leonice da Paz.

“Mulheres e homens da SST falam com alma e o coração. É uma honra para nós recebermos vocês neste dia tão especial. O Brasil tem que olhar diferente para esta categoria dada a importância dela, que cuida de todos os trabalhadores”, afirma Leonice.

Já o presidente do Sintesp, Marcos Ribeiro, destaca que a categoria sofre assédio moral e tem desenvolvido transtornos mentais relacionados ao trabalho. “O país que não tem consciência prevencionista”, avalia.

Importância da SST

Os participantes da mesa de abertura ainda reforçaram a importância do Ministério do Trabalho e da Fundacentro. “Eu tenho a expectativa de que não é possível o Ministério do Trabalho não existir. Temos nos unido para mostrar a importância do Ministério do Trabalho e da Fundacentro. Que possamos estar juntos nesta causa que nos motiva que é a segurança e saúde no trabalho”, defende o empresário José Roberto Sevieri, proprietário da Proma Publicações. Ele também falou sobre a importância da implementação da Política e do Plano Nacional de SST (PNSST/Plansat).

Durante o evento, o técnico de segurança José Carlos Gaudiano, 61 anos, formado pela Fundacentro em 1975, foi homenageado pelo Sintesp. “Você que é jovem, acredite. Ser técnico de segurança é ser missionário. Faça sua missão”, diz o homenageado.

Já o médico do trabalho René Mendes, que trabalhou na Fundacentro entre maio de 1972 e fevereiro de 1976, realizou a palestra “saúde dos profissionais de segurança e saúde no trabalho”. “Hoje se exige que você seja um profissional de alto rendimento. Há exigência de entregar-se a si mesmo de corpo e alma”, alerta o médico.

Mendes destacou problemas como a intensificação do trabalho e a terceirização que ocorre como precarização. Além disso, apontou que, muitas vezes, os prevencionistas, ao cuidar dos outros, se esquecem de cuidar de si mesmos. “Precisamos nos ver como trabalhadores e trabalhadoras”, completa.

Em sua avaliação, há o desafio de mostrar a importância da SST. “Sem o Sesmt nós não conseguimos trabalhar e produzir. Há necessidade de valorização. Mas o contexto é de flexibilização, um termo horroroso. Já à reforma trabalhista, tenho críticas muitas severas. Nenhuma foi para beneficiar o trabalhador. O futuro do Sesmt está diretamente ameaçado com a terceirização e a precarização”, finaliza o médico, defendendo “o ‘direito ao futuro’ com dignidade, segurança, proteção social e com esperança”.